Entrei em dezembro de 2020 como UI Designer, na primeira oportunidade real da área de UX, e quase seis anos depois, sou referência técnica do time. Esta página conta como isso aconteceu, ano a ano, incluindo as partes que não foram lineares.
2020, Primeira oportunidade
Entrei como UI Designer em dezembro de 2020, sem experiência prévia relevante, pouco tempo depois de publicar o meu primeiro portfólio. O primeiro trabalho foi a iconografia de um aplicativo de crédito. No time haviam dois designers mais experientes que me orientaram e foram minha referência técnica no período em que eu ainda estava aprendendo o ofício.
O que eu não sabia ainda
Eu já tinha inclinação para documentação e discovery desde os estudos, mas a minha função era criar tela e solução visual de impacto. Fui evoluindo na entrega visual ao mesmo tempo em que trazia discovery e documentação para dentro do processo, até que os dois deixaram de ser coisas separadas.
2021, Primeiro produto de ponta a ponta
Assumi o primeiro projeto com responsabilidade total de design: identidade visual, interface e o guia completo de estilos e componentes de um aplicativo para o universo gamer. O apoio dos designers mais experientes e a confiança nas minhas próprias decisões de interface foram essenciais para o meu crescimento nessa fase.
Foi também o ano em que o time mudou. Um dos designers experientes saiu e participei de uma entrevista técnica de contratação pela primeira vez. Fiquei corresponsável por integrar e mentorar duas designers juniores em sua primeira oportunidade na área.

aplicativo · universo gamer · 2021
2022, Primeiro design system — e a primeira decisão com impacto além do produto
Vendo uma necessidade da empresa, decidi reestruturar e redesenhar um sistema de aprendizado corporativo que estava em stand-by, transformando-o em um LMS pronto para o mercado. Pontuei que já tínhamos uma base e identidade visual; o que faltava era organizar a arquitetura, os fluxos e incluir as funcionalidades necessárias. A proposta foi aceita, e o projeto se tornou um dos principais carros-chefes da empresa. Foi durante esse processo que construí meu primeiro design system completo, pensado para dar escala ao produto.
Ainda em 2022, o segundo designer sênior saiu do time. Conduzi novamente a avaliação técnica e a integração de uma nova designer à equipe. Passei a ser a profissional mais experiente da área, assumindo a liderança de design e a responsabilidade pelas decisões técnicas e pelo direcionamento do time.


primeiro design system · 2022
2023, Passando o bastão e diversificando
No início do ano fui promovida a Product Designer. A essa altura eu já tinha autonomia para participar de decisões relevantes de produto junto aos líderes técnicos, analistas de requisitos e desenvolvedores. Foi também o ano em que passei a me dedicar a outros produtos da empresa e a diversificar meu repertório em diferentes segmentos.
O teste real veio depois
Conduzi o LMS e o design system dele por um período e depois deleguei essa responsabilidade para outra designer do time. O sistema sustentou a troca de responsável sem quebrar, e é isso que separa um design system maduro e bem documentado de uma simples biblioteca de componentes. O mesmo aconteceu com o aplicativo gamer, cuja manutenção e evolução também passaram para outra pessoa.
2024 a 2025, Sustentação e repertório
Foram dois anos sem um produto único sob a minha responsabilidade, e isso mudou a natureza do meu dia a dia. Circulei entre produtos e segmentos resolvendo desafios pontuais de design na empresa como um todo, apoiando times de desenvolvimento que não tinham designer dedicado e orientando minhas colegas pontualmente no LMS e no aplicativo gamer, que já haviam sido delegados. Foi o período em que meu repertório setorial mais cresceu, e em que a minha função deixou de ser entregar telas para focar em destravar times empacados.
Fora da tela
Em 2025 fiz a minha ponta como designer gráfica: arte de camiseta, mousepad, manguito e flyer do aplicativo gamer para a participação da empresa no Bahia Tech Experience.

bahia tech experience · 2025
2026, IA como ferramenta de processo
Fiz o meu primeiro teste de usabilidade com fluxo real em código, completamente interativo, montado no Figma Make. Construí o terceiro design system da carreira para um produto novo do zero, utilizando IA integrada ao processo e entregando 373 componentes na metade do tempo habitual. O ano tem sido de teste e ajuste constante de como a IA entra no meu fluxo de design, gerando entregas mais robustas e rápidas.
O que a IA não decide
A IA reduziu o custo e o tempo de explorar alternativas antes de bater o martelo; no entanto, a decisão, a direção e a auditoria continuam sendo minhas. A IA é o combustível que acelera o processo, mas quem dirige ainda é o designer.



terceiro design system · 373 componentes · 2026
o que eu aprendi
Repertório não é resposta pronta
Quinze produtos em oito setores, e nenhum problema se repetiu. O que o setor me dá é vocabulário: se já entendi como funcionam emissão e pagamento de nota fiscal, não começo do zero na próxima vez. Mas a dor a ser resolvida é sempre outra, mesmo em dois produtos do mesmo segmento.
Argumentar é parte do trabalho
Uma boa proposta não se aprova sozinha. Aprendi a chegar na reunião com o problema, o caminho e o custo da decisão, em vez de apresentar apenas a ideia solta.
Documentação é o que segura
Passei um design system para outra designer e ele continuou de pé. Não foi o desenho de cada componente que o sustentou, mas a documentação: o que fazer, o que não fazer, quando usar e como estender a biblioteca.
O desafio de agora
Decidir e guiar sem autoridade formal, que é a minha posição desde 2022. A linha de autoridade aqui é tênue e revogável a qualquer momento, e sustentá-la depende mais de argumentos técnicos do que de um cargo.