isabella victória
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Mapear e documentar o inventário de dados pessoais levava semanas

sistema interno · compliance e proteção de dados · 2026

Levantar processos que tratam dados pessoais exigia alinhar diferentes áreas da empresa a cada linha de uma planilha de 24 colunas. Redesenhei essa coleta em um fluxo guiado, com cadastros padronizados para que a mesma coisa não ganhasse dois nomes, e um design system construído do zero junto com a interface. A primeira validação do protótipo com o jurídico levou a um ajuste de terminologia, e o fluxo final ficou em 10 etapas.

Tela do sistema numa janela de navegador: passo 2 de 10, identificação dos dados pessoais, com as etapas à esquerda e categorias de titular, dados comuns e dados sensíveis selecionados em tags.
Papel
Única Product Designer do projeto
Período
Março a maio de 2026
Setor
Proteção de Dados & Compliance · Sistema Interno
Time
Tech Lead, engenharia, departamento jurídico e governança & compliance
Entregas
Discovery, Arquitetura da Informação, Design System, Protótipo Navegável e PRD
discoveryarquitetura da informaçãodesign system

confidencialidade Projeto protegido por acordo de confidencialidade (NDA). O nome da plataforma, identidade visual, dados de negócio e telas com informações sensíveis foram omitidos ou descaracterizados. O processo de design, as decisões tomadas e os resultados proporcionais são autênticos.

Contexto e problema

A empresa precisava comprovar governança de dados pessoais para clientes grandes que auditam o fornecedor antes de assinar contrato. O inventário exigido pela LGPD era controlado numa planilha cujo preenchimento empacava a cada novo processo.

Cada linha do inventário dependia de um conjunto de áreas que mudava conforme o processo:

  • Quem liderava a atividade descrevia os dados recolhidos e a sua finalidade.

  • A equipe técnica especificava onde ficavam armazenados e se havia transferência internacional.

  • O jurídico e o compliance cobravam os prazos, geriam as versões da planilha e classificavam a base legal.

Antes de qualquer uma dessas respostas, alguém precisava descobrir quais processos existiam, o que só quem trabalhava em cada área sabia dizer.

declaração do problema

O documento que a empresa precisava mostrar em auditoria dependia de uma coleta manual entre áreas, sem nada que garantisse que todas falassem a mesma língua.

Abordagem

Transformei o preenchimento de um processo em uma sequência de etapas guiadas. Como eram muitas informações, e parte delas dependia de outras áreas, o preenchimento podia ser salvo como rascunho e retomado do ponto onde parou.

Garantindo a padronização dos termos entre os processos

Para evitar que o mesmo dado aparecesse com nomes diferentes em processos diferentes, propus que a maior parte dos campos funcionasse como seleção, com termos já cadastrados. Porém, as listas não estavam fechadas: novos sistemas, fornecedores e tipos de dado iam aparecer conforme as áreas mapeassem seus processos, e continuariam aparecendo.

A solução: cadastros padronizados

Propus uma seção de configuração, acessível apenas ao compliance e ao jurídico, para cadastrar e editar as opções que mudam com o tempo:

quem cadastra cadastros padronizados onde é usado

Compliance e jurídico

Cadastram, editam e aprovam os termos

  1. Departamentos, com o responsável associado
  2. Sistemas usados pela empresa, terceiros e operadores
  3. Tipos de dado, comum e sensível
  4. Formas de obtenção dos dados
  5. Métodos de armazenamento e de compartilhamento
  6. + 6 cadastros, como bases legais e descarte
  7. + 8 cadastros, como tipos de dado, bases legais e descarte

+ 4 cadastros: base legal LGPD, base legal complementar, métodos de descarte e evidências de descarte

Formulário do processo

Campos com seleção padronizada a partir da base homologada

Tela de cadastros do sistema: as categorias de cadastro à esquerda, a tabela de departamentos com responsável, e-mail e quantidade de processos, e o painel de novo departamento aberto por cima.

O fluxo guiado consumia as opções diretamente dessa base cadastral. Quando uma área precisava de um termo inédito — como um novo tipo de dado —, podia enviar uma solicitação, e o item só entrava na lista oficial após a validação do time de Compliance.

Isso resolveu dois problemas estruturais:

  • 01 · Padronização

    Em campos abertos, o mesmo dado seria registrado como CPF, CPF/RG ou cadastro de pessoa física, gerando duplicidade e inconsistência entre processos.

  • 02 · Divisão de responsabilidade

    O conhecimento técnico de TI é cadastrado uma única vez por quem realmente domina a infraestrutura. Se o servidor de uma ferramenta fica nos Estados Unidos, ao selecioná-la o sistema já vincula automaticamente a transferência internacional, sem exigir essa validação do usuário comum.

Processo

Entender um domínio que eu não conhecia

Compliance e proteção de dados ainda não faziam parte do meu repertório, então precisei estudar por conta própria para dominar os termos técnicos e as reais dores desse segmento. As sessões de discovery com o time jurídico foram fundamentais: cheguei a cada conversa munida de perguntas claras, sem receio de admitir termos que eu ainda não dominava.

Uma das minhas principais dúvidas, por exemplo, era se o sistema guardaria dados pessoais brutos. A resposta foi não: o sistema registra apenas metadados — mapeando onde o CPF está armazenado, quem o coletou e por quanto tempo deve ser retido, sem nunca armazenar o dado em si.

  1. Coleta
  2. Tratamento
  3. Compartilhamento
  4. Armazenamento
  5. Descarte
O dado pessoal não atravessa esta linha
  1. Origem da coleta e base legal aplicável
  2. Finalidade do tratamento e área responsável
  3. Destinatários do compartilhamento e meio utilizado
  4. Sistema de armazenamento e país de destino
  5. Prazo de retenção e evidência de descarte

Recortar o MVP e definir a primeira entrega

O escopo inicial do cliente contemplava uma plataforma completa de governança: inventário de dados, atendimento aos titulares (DSAR), relatórios de impacto (RIPD) e matriz de risco, entre outras frentes. Defendi focarmos em entregas incrementais, já que desenvolver o sistema de uma só vez levaria meses e correria o risco de chegar descompassado em relação às necessidades reais do negócio.

Logo no segundo alinhamento, propus o inventário de dados pessoais como MVP:

Primeira entrega

O inventário era a entrega de valor imediato que comprovava conformidade nas auditorias de clientes.

Módulos seguintes

Todas as outras frentes da plataforma dependiam desse mapeamento de dados como pré-requisito.

Impacto na estratégia de design: projetamos a interface já prevendo a expansão da plataforma, o que justificou investir na identidade visual e no design system desde o primeiro dia.

Elaborar o PRD e os Requisitos do Sistema

Com o recorte definido, entramos na fase de especificação. Cada campo daquela planilha precisava se transformar em requisito funcional: o que seria seleção fechada, texto livre, autopreenchimento, regras de validação ou limites de caracteres.

Foi nesse momento que consolidei os requisitos técnicos e as premissas do MVP no PRD.

  • Mapeamento

    Mapeei a planilha legada e estruturei a arquitetura de informação do novo fluxo.

  • Preenchimento

    Adotei o formato de Padrão de design de software que divide um processo longo ou complexo em uma série de etapas sequenciais e fáceis de gerenciar., dividindo um cadastro extenso em etapas guiadas e progressivas.

  • Importação

    Incluí a importação de planilhas como requisito essencial de migração.

O que isso mudou: a importação deixou de ser mero conforto e virou requisito crítico de migração, eliminando o retrabalho de quem já havia começado a preencher na planilha. Com isso, o sistema passou a oferecer dois caminhos de entrada: fluxo guiado passo a passo ou carga via planilha.

Botão de criação de processo com o menu aberto, mostrando as opções de preencher pelo passo a passo ou importar planilha.
O botão de “Novo Processo” oferecendo dois caminhos possíveis: wizard guiado ou importação de planilha.

Desenhar a arquitetura da informação e as telas principais

Aqui as 24 colunas viraram um fluxo:

O que haviaO que virou
Ordem da planilha, coluna a colunaVirouCampos agrupados por contexto
Campo aberto em cada processoVirouCampos preenchidos a partir dos cadastros padronizados
Planilha importada por inteiro ou nadaVirouFluxo inteligente de importação com resolução de divergências
Status de preenchimentoVirouStatus de conformidade em três níveis com visibilidade direta na listagem

Levei a arquitetura e algumas telas montadas para validação com o jurídico e precisei ajustar alguns pontos:

Na etapa que eu havia desenhado, o envio de dados para outro departamento ou fornecedor e o envio para fora do país estavam no mesmo passo do fluxo e com o mesmo nome. A coordenadora jurídica me corrigiu durante a apresentação:

Quando a legislação fala em transferência, ela se refere especificamente à transferência internacional. Misturar os dois conceitos gera confusão no preenchimento e fragiliza a defesa da empresa numa auditoria.
Como eu tinha desenhado
  • Transferência
    • para outro departamento
    • para fornecedor
    • para fora do país
  • Armazenamento
    • onde e como
    • por quanto tempo
    • forma de descarte
Depois da validação
  • Compartilhamento
  • Transferência internacional
  • Armazenamento
  • Descarte

Decidi pela troca do termo e pela inclusão de uma nova etapa focada inteiramente na transferência internacional, tanto para garantir clareza e coerência contextual a cada passo do fluxo, quanto para não sobrecarregar uma tela em que já havia muita informação a ser preenchida.

Na mesma conversa surgiu a observação sobre o descarte, que eu tinha imaginado dentro da etapa de armazenamento. Porém existiam mais informações a serem preenchidas, como métodos e evidências de descarte, o que justificou a realocação para uma etapa dedicada.

O que isso me ensinou: o ajuste não era de usabilidade pura, mas de vocabulário e rigor regulatório. Isso só veio à tona pelo design colaborativo com especialistas de negócio. Colocar uma tela navegável na frente de um especialista da área antecipa alinhamentos que o design sozinho jamais descobriria.

Construir o design system e a identidade visual

Após a validação das primeiras telas, dediquei uma etapa estruturada para criar a identidade visual e o design system do produto:

  • Fundamentos

    Paleta de cores, tipografia, naming, logotipo e diretrizes visuais do produto

  • Componentes

    14 famílias documentadas — ícones, tags, badges, avatares, botões, controles de seleção, steppers, inputs, dropdowns, listas, tabelas de dados, abas, headers e menu de navegação

  • Padrões

    Padrões para alta densidade — preenchimento com autocomplete por padrão, seleção em tags para categorias de dados, campos condicionais progressivos e menu lateral retrátil em overlay

Telas do design system do sistema: a página de iconografia com os ícones por grupo, a de labels e tags, a de selects com os estados do campo, a lista de processos em variações e a tabela de cores com nome e código.
Amostra de componentes e tokens do design system.

Validação e iterações

Durante a última rodada de validação com o jurídico antes da entrega final, surgiram regras de negócio e necessidades específicas que ainda não tínhamos notado:

  • Trilha de auditoria e histórico de edições: inclusão de registro de autor, data/hora e campos modificados, já que o preenchimento passa por múltiplos responsáveis antes de atingir conformidade total.
  • Base legal complementar: campo opcional fora do rol padrão da LGPD, contemplando hipóteses respaldadas pela legislação civil ou trabalhista.
Um retrabalho inesperado

Eu havia desenhado o fluxo com base na versão 2 da planilha, e a versão 3 chegou na sexta-feira anterior à apresentação. Precisei correr contra o tempo para atualizar o protótipo e refletir a versão mais recente.

Impacto

10 etapas guiadas substituindo uma planilha de 24 colunas
5 cadastros padronizados alimentando o fluxo com opções padronizadas no lugar de campos abertos
373 componentes, variantes e tokens construídos do zero, com identidade visual própria
DimensãoResultado
Padronização de termosA divergência de nomenclaturas entre os processos foi eliminada.
Centralização técnicaO conhecimento de infraestrutura passou a ser registrado uma única vez pela equipe de TI, integrando os cadastros padronizados do sistema.
Migração de legadosPlanilhas existentes foram importadas com sucesso, eliminando o retrabalho manual para o time de compliance.
Eficiência operacionalSegundo os times jurídico e de compliance, o sistema reduziu de forma substancial o esforço e o retrabalho de consolidação do inventário.
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